Sobre o Rabiscar da Memória

Quantas vezes sentimos a necessidade de falar e escrever livremente para o mundo? Sem amarras do correto ou do modelo vigente. Por que nos sentimos impelidos para a escritura, mesmo não sendo possível? Mesmo que não tenhamos ao dispor uma variedade de instrumentos.

Independente das dúvidas, estamos, talvez por obra do nato, inscritos e intimamente ligados com as ideias, as letras, a história, a memória; enfim com o mundo. Na verdade, vivemos,pensamos, existimos.

Não nos apraz apenas guardar impressões, dúvidas e outros sentimentos, quando enxergamos, lemos ou sentimos os acontecimentos. Os pensamentos nossos e dos outros.

Temos a necessidade de algo dizer, mesmo que sejamos implícitos ou abertos, simples ou analíticos. Errados ou não, enganados nos olhos alheios ou festejados pela ignorância.

Trata-se de querer expandir o universo, contribuir com algo; aumentar o conhecimento. Acima de tudo, aprender pela interação com tantos outros, nas mídias, nas ruas ou nas alcovas mais diversas. Solidarizar com o próximo, sentir os mesmos anseios de reconhecer pelos outros a nossa existência.

Somos cidadãos comuns trafegando em mão dupla a todo tempo e transformamos realidades, pelas ações e pelos pensamentos, vivenciando a vida, a história e construindo memórias nossas e dos outros. Deixando marcas indeléveis ou duradouras, imperceptíveis a criar raiz. Somos as regras, comportamentos, as tendências e as perspectivas de um novo mundo a cada segundo, minuto.

Não explicamos e nem tentamos explicar o sentido da vida. Ao contrário, exprimimos o que somos e os resultados de nossas heranças, as quais avaliamos constantemente, procurando apenas viver e sentirmos vivos, atentos ao redor e ao semelhante. Não somos o toque dos dedos na virtualidade distante dos corpos que não se veem, não se tocam, e nem ao menos ouvimos o som.

Cada fato, ideia e sentimento que colocamos no universo têm seu significado próprio e tudo isso não pode tomar relevância de desprezo. Não podemos abreviar e não devemos reduzir  a signos. Principalmente na geração do turbilhão das imagens. Devemos falar, escrever, deixar nossa contribuição, mesmo que passível da crítica, do desprezo e do descaso.

O fio e o rastro possuem sentido, podendo significar a descoberta do desapercebido para a compreensão das evidências minúsculas que trazem o sentido mais próximo da possível perfeição. E assim, por vias tortuosas reconstruímos nossas vidas e nossos itinerários entre os pares, dando uma parcela de contribuição para um mundo melhor.

Os “Rabiscos da Memória” tem seu intento no escrever e no dizer para o mundo aquilo que alma e a razão nos proporcionam, no individual e no coletivo. Sobretudo compartilhar. Emitir análises ou simplesmente mostrar e tentar explicar o que chega aos olhos e ouvidos, e pela boca miúda, para impressões sinceras e responsáveis. Seja pela leitura de um livro, o ouvir de uma música, uma história contada por um amigo ou por um antepassado, um filme, e mesmo o que veicula a televisão, o teatro, as artes plásticas, o jornalismo, ou a vida que vivenciamos cotidianamente. Não pretende ser único, universal ou com características de pura cientificidade ou academicismo.

Quer ser a contribuição de um simples escrevinhador que necessita falar aos pares e dizer estou aqui para que vocês também estejam.

Joaquim Roberto Fagundes

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